Estes são os 10 melhores livros de 2015 para o The New York Times – Observador

A de Açor, de Helen Macdonald

Quando a britânica Helen Macdonald perdeu o pai, o seu mundo desabou. Sabemos disso, bem como da sua paixão pela natureza e pela falcoaria, através da escrita autobiográfica de A de Açor, que a Lua de Papel publicou em novembro em Portugal (16,50€). Com 40 anos e a viver sozinha, a historiadora e poeta encontrou no enorme desafio de criar e domar um açor uma forma de ultrapassar o luto. As descrições e o desafio agarram o leitor e a crítica: “De cortar a respiração. Helen Macdonald cria uma impressão inesquecível da feroz essência de uma ave de rapina – e dela própria – com palavras que mimam penas, tão impossivelmente belas que nem notamos a sua espantosa engenharia”, escreveu o The New York Times Book Review, na crítica que publicou em fevereiro. Volta a elogiá-lo pondo-o em destaque nesta lista.

a de açor

A Manual for Cleaning Women: Selected Stories, de Lucia Berlin

11 anos depois de a norte-americana Lucia Berlin ter morrido, eis que se torna um sucesso de vendas. A culpa é desta coletânea de 43 histórias, reunidas por um antigo aluno, que o suplemento do New York Times diz mostrarem uma mulher que podia ser a musa de uma canção de Tom Waits, com linguagem direta e muito álcool à mistura. Não se encontra publicado em Portugal.

A Manual for Cleaning Women Selected Stories Lucia Berlin

A Porta, de Magda Szabó

A escritora húngara morreu em 2007 e A Porta não é propriamente uma novidade — foi publicado em Portugal em 2006 pela Dom Quixote (4,90€). O motivo pelo qual o jornal inclui este livro sobre a relação profunda de amizade entre uma escritora e a sua velha empregada deve-se a uma nova tradução (para inglês), de Len Rix. A nova tradução é enriquecedora sobretudo se tivermos em conta que o livro foi publicado pela primeira em 1987, ainda a Hungria vivia atrás da cortina de ferro. Quem gosta de ler em inglês tem aqui uma boa compra. Quem nunca leu o romance também não vai mal servido pela versão que existe em Portugal.

a porta

Outline, de Rachel Cusk

A escritora lançou o oitavo romance no Reino Unido, onde vive, no ano passado. No início de 2015 a obra chegou à América e ainda este ano pôs Rachel Cusk nos finalistas do prémio Baileys, que distingue a melhor obra de ficção escrita por uma mulher. A história, que o jornal considera “subtil, não convencional e letalmente inteligente”, segue a viagem de uma mulher divorciada até à Grécia. Ao longo das 256 páginas há amor e perda, adultério, deceção, orgulho e uma miríade de sentimentos para digerir.

rachel cusk outline

The Sellout, de Paul Beatty

Uma sátira “ultrajante”, é como o jornal descreve o romance cómico que o norte-americano Paul Betty lançou este ano (ainda não publicado em Portugal). O personagem principal da história é um jovem afro-americano que deseja que a sua escola imponha a segregação racial. Não contente, quer recuperar a escravidão e impô-la em casa, à falta de autoridade para mais. A Constituição dos Estados Unidos e os mitos da igualdade racial revisitados com muito humor e sarcasmo.

the sellout

Between the World and Me, de Ta-Nehisi Coates

Continuando nas questões raciais, o jornalista e escritor americano Ta-Nehisi Coates publicou este ano um livro em forma de carta para o seu filho, que acaba de fazer 15 anos e cujo futuro o preocupa. Ao longo de 176 páginas, ele conta e, ao mesmo tempo questiona, como é ser-se negro e crescer na América. Venceu o National Book Award para não-ficção, um dos prémios literários de maior prestígio nos Estados Unidos.

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The Story of the Lost Child: Book 4, The Neapolitan Novels: Maturity, Old Age, de Elena Ferrante

História de Quem Vai e de Quem Fica, o terceiro volume de uma tetralogia de Elena Ferrante, saiu em setembro em Portugal pela Relógio D’Água (18€). Os americanos já vão mais adiantados e o New York Times elege o quarto e último volume da história como um dos 10 grandes livros do ano. The Story of the Lost Child é uma “conclusão brilhante” da amizade feminina entre Elena e Lila, que chegou ao século XXI e superou um cenário de pobreza, ambição, violência e disputa política. A Relógio D’Água deverá publicá-lo em Portugal em 2016.

elena ferrante 4 livro

Empire of Cotton: A Global History, de Sven Beckert

O algodão foi um dos bens mais importantes do século XXI. O historiador americano Sven Beckert dedica-se aqui a contar a história do bem que, para ele, deu o pontapé de partida à revolução industrial, o que significa contar o que foi o século XIX, onde se incui naturalmente a escravatura e a condições miseráveis dadas aos trabalhadores. O tema é tratado de forma exaustiva, pelo que não agradará a todos. Não se encontra publicado em Portugal.

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The Invention of Nature: Alexander von Humboldt’s New World, de Andrea Wulf

O trabalho do cientista Alexander von Humboldt (1769 – 1859) é revisitado por esta escritora e historiadora nascida na Índia. Andrea Wulf pesquisou as viagens que o naturalista fez e lembra-nos que as suas visões do século XIX ainda hoje são relevantes. Também entrou na lista dos melhores livros do ano da The Economist. Não está publicado em Portugal.

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‘One of Us: The Story of Anders Breivik and the Massacre in Norway’, de Asne Seierstad

No dia 22 de julho, Anders Breivik matou 77 pessoas, depois de um atentado à bomba e de atingir outros com uma arma de fogo em Utøya, uma ilha norueguesa onde estava a decorrer um acampamento do Partido dos Trabalhadores. Na altura, lamentou em tribunal não ter matado mais pessoas. A jornalista norueguesa Åsne Seierstad foi à procura das raízes deste ato de terrorismo e descobriu que o que passou para o mundo como um ato isolado encontra, num país conhecido pela sua segurança, outros jovens com pensamentos igualmente contra a diversidade cultural e os direitos das mulheres. Não se encontra publicado em Portugal.

anders breivik

 

Fonte: Estes são os 10 melhores livros de 2015 para o The New York Times – Observador

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