Resenha | A bruxa de Portobello – Paulo Coelho

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“A Bruxa de Portobello”  de Paulo Coelho, conta a história de Athena, uma garota que foi adotada por emigrantes libaneses, com certo poder aquisitivo, que se estabeleceram na Inglaterra. Desde o inicio do livro ficamos sabendo que Athena está morta, e toda a narrativa se reduz a contar toda a vida dela e o seu legado, isso através da visão de algumas pessoas que a conheceram e conviveram com ela:A órfã; A criança de Beirute; A funcionária de um banco; A vendedora de terrenos; A sacerdotisa de Portobello. Athena era uma cristã devota, casada e com filhos, vivendo com sua cristandade até o momento em que se separa do marido e pede o divorcio, que é quando ocorre sua humilhada na igreja, na fila da ostea, a qual é lhe negada pelo padre por ela ser divorciada. Ela então sai da igreja amaldiçoando todos que ali estavam e começa sua jornada.
Agora a jovem mãe solteira,vai morar num apartamento alugado onde o inquilino promove “reuniões” religiosas sobre bruxaria no apartamento logo acima do seu. Athena, livre da moral religiosa e com um dom especial que nunca compreendeu e sempre a assustou, quando vai até o apartamento de seu inquilino para pedir-lhe que abaixe o volume da música a fim de que seu filho possa dormir, Athena redescobre a sua própria essência e o modo como vê o mundo.
A escrita não é uma das qualidades mais favoráveis, o escritor parece não saber o uso adequado das vírgulas e da formação de plural, mas não era uma obra prima da literatura que eu buscava quando abri “A Bruxa de Portobello” para ler. E com certeza não foi isso que encontrei.

Ela têm que enfrentar uma intolerância religiosa. Um retrato da sociedade contemporânea, onde o medo da mudança e o conformismo determinam o curso de nossas vidas. A história arrebata, provoca e ainda traz à tona questões fundamentais da nossa atualidade.

Conforme vai avançando mais no estudo da religião da Deusa, Athena descobre que pode ajudar os outros com seu dom e passa a fazer reuniões semanais com seus seguidores na rua de Portobello, dentro do município de Nothing Hill, em Londres. Embora com boas intenções, conforme sua fama vai crescendo na cidade, a Bruxa de Portobello começa a perceber que suas crenças irão fomentar o ódio de muitos grupos religiosos e da sociedade. De uma forma simples, Paulo Coelho também debate sobre a nossa inerente intolerância à religião dos outros, e como o fanatismo pode afastar as pessoas.

Toda mulher é potencialmente mais apta que o homem em desenvolver suas habilidades, seus dons. A mulher renegada nas religiões, que vivem na memoria do planeta, na historia. Quando a religião é feminina, matriarcal, as primeiras divindades femininas; as vénus. A religião surgi certo tempo como organizadora da sociedade. Uma época recente no Egito onde a figura do líder esta ligada a imagem do sacerdote e organiza no plano físico e no plano espiritual todo um povo, toda uma cultura, para até as vezes cultivar uma manipulação destes através do plano espiritual. Na medida em que a sociedade vai se desenvolvendo em torno de uma liderança masculina, sendo que essa liderança é criada por causa da ideia da defesa da tribo, o responsável pela aldeia, na mediada que a figura do sacerdote começa a se misturar com a imagem do homem mais que com a mulher a dividade feminina desaparece. Paulo Coelho revive esta divindade neste livro.

Se você não o ler com olhos muito críticos e se prendendo mais à história do que construções frasais, o livro pode trazer boas sensações. Embora perca uma parte da beleza da literatura, e levando, por conseguinte, a historia para o mesmo buraco, o livro é uma boa pedida para a iniciação em algumas reflexões, e enxergar algumas coisas que podem passar despercebidas. O livro é básico em tudo que se propões, ensina a encarar os problemas a aqueles que choram em cada barreira, a perceber que o mundo não é tão belo quanto podemos imaginar, ver os erros apenas como forma de aprender mais e os problemas que ocorrem, uma demonstração de como você é forte e pode seguir em frente.

O livro te ensina a buscar aquela força interior e simplesmente passar por cima. Recomendo, mas não fortemente.

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