Musica é Poesia #4 | Chico Science

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A Cidade –


O sol nasce e ilumina as pedras evoluídas
Que cresceram com a força de pedreiros suicidas
Cavaleiros circulam vigiando as pessoas
Não importa se são ruins, nem importa se são boas

E a cidade se apresenta centro das ambições
Para mendigos ou ricos e outras armações
Coletivos, automóveis, Motos e metrôs
Trabalhadores, patrões, Policiais, camelôs

A cidade não para, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
A cidade não para a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce

A cidade se encontra Prostituída
Por aqueles que a usaram em busca de uma saída
Ilusora de pessoas e outros lugares,
A cidade e sua fama vai além dos mares

E no meio da esperteza internacional
A cidade até que não está tão mal
E a situação sempre mais ou menos
Sempre uns com mais e outros com menos

A cidade não para, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
A cidade não para a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce

Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado
Bom pra mim e bom pra tu
Pra gente sair da lama e enfrentar os urubus

Num dia de sol, recife acordou
Com a mesma fedentina do dia anterior.


A área onde a cidade de Recife foi fundada, em 1537, é cortada por seis rios. Pela sua costa ser cercada por esses cursos de águas ela ficou conhecida como “cidade estuário”. No século XVII, após a expulsão dos holandeses, a cidade passou a crescer desordenadamente e a ter seus rios e mangues aterrados. O agravamento da miséria e do desemprego foi elevado em ritmo acelerado. Mais da metade dos habitantes da cidade moram em favelas e alagados

A palavra contracultura pode ser interpretada como uma postura, ou até uma posição, em face da cultura convencional, de crítica radical.

O movimento teve uma influência fundamental, o livro “Homens Caranguejos”, do sociólogo pernambucano Josué de Castro mostra uma comparação do ciclo de vida do homem miserável ao caranguejo, por este se alimentar por dejetos orgânicos do mangue.

 

As pontes, os seis rios que cortam a cidade, os viadutos, o lixo, os urubus e a miséria; são elementos sempre presentes nas letras de Chico Science . Acrescentados a esses elementos, temas como: a crítica social, a diferença de classes, a criminalidade e o banditismo estão presentes.

 

É essa autenticidade, essa busca sistemática da verdade do indivíduo e do mundo em que ele habita, uma de suas maiores contribuições, servindo de lição para muitos artistas que formam a atual cena musical pernambucana.

“Ele foi um fenômeno cultural que, em tão pouco tempo, conseguiu modificar profundamente a maneira de o pernambucano ver a si mesmo, fortalecendo praticamente todos os setores da cultura local”. Pedro Mendes – Organizador do Rock na Praça

“Foi o movimento mais importante desde o tropicalismo. Não creio que ninguém tenha sucessor, mas o Chico tem seguidores, já que é difícil não se deixar influenciar pela música dele”. Pedro Luís – Músico.

 

 

Referencis: http://whiplash.net/materias/biografias/191518-chicoscience.html#ixzz3vAicwopS

 

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