A importância da Literatura de Entretenimento e a diferença entre essa e a Literatura Comercial

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A literatura de entretenimento:

A Literatura de Entretenimento é uma  literatura que atenda ao paladar de um público amplo, desejoso de uma ficção despretensiosa, digestiva, Um enredo comum, bom pra passar tempo, mas com discussões sim. De uma forma menos pesada, de leitura descomplicada e enredo criativo e atraente, onde uma história de começo, meio e fim bem definidos é contada, sem apelar para clichês ou formulas para obter sucesso. Exemplo Harry Potter, Percy Jackson,  Crônicas de Nárnia, etc.

A literatura Comercial:

A Literatura comercial  é subliteratura, não leva o leitor a crescer internamente e o aliena das grandes questões humanas, sociais e filosóficas, visto que se preocupa apenas em vender seus livros; sua publicação deve-se unicamente  ao desejo do autor e do editor de ganhar dinheiro às custas de leitores ingênuos e despreparados intelectualmente, pessoas sem gosto estético, incapazes de dar valor à “verdadeira Literatura” e que não foram devidamente apresentadas ao que de melhor os grandes escritores produziram no decorrer da História e produzem. Estes Leitores são os mais beneficiados pela literatura de entreterimento e, consequentemente, a própria literatura como um todo e a sociedade saem beneficiadas. Exemplo Crepúsculo, A cabana, A Última Música, etc.

“Se o escritor não se coloca ao lado dos dominados, contra os dominadores, pode fazer jus a títulos e a inúmeras honras: mas não merece o nome de homem.” – Osman Lins, Escritor Pernambucano

A importância da Literatura de Entretenimento:

É muito comum o desprezo pela dita literatura de entretenimento. Seja pela abordarem de temas de pouca relevância ou já muito batidos, ou mesmo por possuírem uma linguagem de médio ou baixo escalão que torna a leitura um tanto quanto vulgarizada.

A  ideia batida é que esta “nova literatura” desvalorizou o livro como obra de arte, de denúncia ou espaço para experimentação, catarse ou reflexão e transformou-o em um modesto objeto de lazer, capaz de preencher as horas livres do cidadão comum com momentos de diversão e distração.

Aqui existe uma mistura do ideal de literatura comercial, onde, no máximo, proporciona alguma diversão ao leitor, e a literatura de entretenimento, onde, apesar de dar muita importância a diversão, não desvaloriza e utiliza seu poder de reflexão, trazendo sempre muitas discussões.

A  verdade é que esse tipo de leitura inaugura outro gênero . O perigo não esta neste tipo de literatura aniquilar a dita erudita transformando a arte em algo banal, assim como aconteceu com outros tipos de arte no planeta, pois a literatura segui firme. E embora a Literatura de entretenimento possa ameaçar o papel transcendente e anárquico da literatura na formação e manutenção da sociedade, esta mantem-se no mesmo ritmo; as mesmas pessoas que liam este tipo de livro hoje, lia outrora. Porem a quantidade de novos leitores parece estar crescendo e muito disso se dá por conta da literatura de entretenimento.

Há sim uma categorização da literatura, como se esta fosse um conjunto de rótulos incomunicáveis entre si. Acha-se que essa configuração não combina com a natureza anárquica da arte e vai contra a realidade. Porem a natureza da arte é o humanismo e reflexão, não importa a forma como transposto. E a falta desta natureza desconfigura uma obra como arte. Anarquicamente a arte só se manifesta quanto a forma: O que há são estilos, dentro de cada gênero, e só.  Então são coisas diferentes, a literatura como arte  e a literatura como literatura, ou, ainda, a arte como arte.

Logo, se for preciso ditar um papel importante e nobre quanto a literatura de entretenimento  a sociedade, é este, a capacidade de estímulo à leitura e iniciação ao pensamento.

Ler livros comerciais como livros de entretenimento podem acarretar um vicio destes leitores neste tipo de  livros fazendo com que nunca evoluam. Leitores de Crepúsculo serão sempre leitores de 50 tons de cinza.

Sem entrar no mérito da qualificação objetiva de qualidade de uma obra, sim, qualidade não é algo subjetivo,  e ignorando a Literatura Comercial, que, por vender muito,  as vezes, se confunde com a Literatura de entretenimento,  o artigo se apega em demonstrar o papel desta em criar novos leitores. Sobre os outros em  breve novo texto.

Nenhuma cultura realmente integrada pode se dispensar de ter, ao lado de uma vigorosa literatura de proposta, uma não menos vigorosa literatura de entretenimento.

A verdade é que o Brasil não é um país de leitores. Muitas crianças(crianças e adolescentes) não têm o exemplo em casa de leitura, pois os pais muito pouco ou nada leem.

Do mesmo modo, a escassez de uma literatura de entretenimento nacional dificulta a formação de leitores, principalmente nas escolas, onde, para muitos o hábito de ler começa, pois as aulas de literatura brasileira acabam se concentrando nos autores canônicos ou regionalistas, cuja prosa sofisticada e de difícil assimilação para a maioria acaba gerando toda sorte de preconceitos em relação ao ato de ler, que passa a ser visto como algo complicado e enfadonho. Sobretudo se o livro vier acompanhado daquele verdadeiro tiro de misericórdia no gosto pela leitura que é o famigerado teste de interpretação do livro, o maior inimigo da formação de leitores no Brasil.

Não seria mais interessante para essa criança que está agora se iniciando nesse mundo, um livro de linguagem mais simples e temática mais condizente com sua mentalidade?

O que seria mais interessante para ela: um “Harry Potter” ou umas “Memórias Póstuma de Brás Cubas”. Não estou aqui discutindo qualidade literária, mas sim, ha público à quais determinadas leituras devem ser voltadas. Pois um livro denso como é o de Machado de Assis, terá muito mais chances de traumatizar uma criança, fazendo-a  associar à leitura a algo ruim, pesaroso, cansativo, angustiante, do que a uma forma de prazer. E acredito que jogar as crianças contra os livros não seja a função da  escola. Ou estou enganado?

Enfim, para concluir melhor esse pensamento, vale lembrar que literatura de entretenimento é sinônimo de literatura ruim. O próprio “Veronika Decide Morrer” de Paulo Coelho é um exemplo. Pois, em minha opinião, este é um livro muito bom e que discute temáticas muito interessantes como a loucura e o suicídio. Ou também temos o mundo bem construído de J. K. Rowling que não pode ser chamado de ruim.

Mas é claro que também temos os ruins… Mas desses é melhor nem se falar.

“Nem sempre os grandes escritores são bons escritores.” – Ledo Ivo, Poeta e Romancista Alagoano


Referencias:
http://www.printeccomunicacao.com.br/?p=25994#sthash.Oi85QIRG.cbGZ0vEl.dpuf – See
http://www.napontadoslapis.com.br/2012/04/importancia-da-literatura-de.html
http://literaturaensinoeinfantojuveil.blogspot.com.br/p/literatura-deentretenimento-e-o-ensino.html
http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2110&titulo=Literatura_de_entretenimento_e_leitura_no_Brasil
http://www.tribodolivro.com/2012/11/sobre-literatura-como-entretenimento.html
http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2014/07/literatura-nao-tem-de-partir-dos-classicos.html
http://www.livrosepessoas.com/tag/literatura-de-entretenimento/
http://abibliotecaderaquel.blogfolha.uol.com.br/2012/07/23/alta-literatura-vs-literatura-de-entretenimento/
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6 comentários sobre “A importância da Literatura de Entretenimento e a diferença entre essa e a Literatura Comercial

  1. Pingback: Artigo | A literatura e a Literatura comercial e A relação da academia com a Fantasia | Escrevendoor

  2. Vc diria que Joaquim Manuel de Macedo é entretenimento ou comercial? Bem, antes de sua resposta, vou antecipar meu pitaco. Acho que na obra dele há um pouco de tudo. “A moreninha”, “O moço loiro” e “A luneta mágica” entendo que é entretenimento; muitos dos romances posteriores, literatura comercial (ele precisou viver de literatura – só que, ao contrário de outros atuais, morreu na miséria). Todavia, quero destacar “A carteira de meu tio” e “Memórias do sobrinho do meu tio”, duas excepcionais sátiras políticas, atualíssimas (assim como a excelente peça “A torre em concurso”). Não porque ele fosse um visionário, mas porque não avançamos um milímetro. Não sei como classificar o cronista, de “Passeio pelas ruas do Rio de Janeiro” e “Memórias da rua do Ouvidor”, dois livros que fazem um interessante retrato dos costumes da época e de períodos passados (aliás, assim como no romance “As mulheres de mantilha”), mas de forma leve, que era seu estilo. Macedo é muito desprezado, a meu ver, injustamente. Tomam sua obra inteira pelo teor açucarado da Moreninha, quando ela é multifacetada. Abraço!

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    • Joaquim Manoel de Macedo como romancista romântico já se mostra com algum teor politico além de originalidade quanto a ficção. “A moreninha”, por exemplo, com um texto poeticamente simples e claro, mas sentimentalmente profundo, com uma ficção e discursões despretensiosas, acaba não se enquadrando na literatura comercial pois não aliena os leitores, mas poderia ser vista como Literatura de entretenimento.
      Mas o real motivo para a evidenciação desta diferença é evitar justamente esta confusão, um livro escrito comercialmente(Harry Potter) não é assim caracterizado somente porque vende muito(A torre negra) ou porquê tem escrita simples(A culpa é das estrelas), ou ainda porquê o escritor escreveu-o para ganhar dinheiro (Percy Jackson), mas, sim, se ele o fez desconsiderando os leitores, mediocremente, com desrespeito e desonra, logrando da ignorância ou ingenuidade alheia(A ultima Musica).
      Então o Autor não pode ser caracterizado como nem um nem outro. A moreninha e outros mais “leves” podem ser, guardadas as proporções e contexto, de entretenimento, já outras obras, somente por terem sido escritas para o lucro não as caracterizam como comerciais, e, algumas, é o caso, para mim, “A carteira de meu tio” por serem estética e artisticamente bem escritos, contendo bons argumentos, aprofundados, não podem ser caracterizado como literatura de entretenimento, somente Literatura, ou boa literatura no caso citado.

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      • Perfeito! Gostei especialmente de suas palavras sobre “A moreninha”. E explico. É que, ao contrário da maioria, li esse livro não por imposição escolar, mas por pura curiosidade, já depois dos 40. Talvez, se fosse no colégio, teria desdenhado, como fiz com “O guarani”. No entanto, a maturidade me proporcionou uma leitura sem preconceitos. Aliás, pelo contrário. Comecei o livro imaginando que seria a bobagem que os compêndios “didáticos” de literatura dizem que é. Que grata surpresa foi constatar outra coisa. Sim, é claro que ele nos mergulha num mundo muito diferente do nosso, com uma ingenuidade sem tamanho. Só que, ao contrário do que pensa o leitor apressado, essa ingenuidade não é anacrônica, pois Macedo estava muito preso aos padrões de sua época, então era uma descrição da época (como vários trechos deixam claro; aliás, como o Macedo cronista deixa ainda mais claro). Anacrônica é a leitura que vê o ridículo e a ingenuidade num padrão de época. Além disso, “A moreninha”, a despeito de alguns pormenores já exaustivamente criticados, tem qualidades insuspeitas, tais como as ressaltadas por Affonso Romano de Sant’Anna, nos estudos que fez – uma análise estrutural e uma edição comentada. Isso sem contar Tânia Serra, em sua obra “Os dois Macedos”. Enfim, muito obrigado pelo seu comentário, que me animou a continuar fã de Macedo. Porque, como li alhures, ele tem uma grande vantagem sobre os medalhões, os autores canônicos: ele não escreveu uma obra para se sobressair em meio à sua época, mas uma obra que retratou essa mesma época, sem pretensões de dela destacar-se. O que faz de sua obra um retrato muito fiel – e de leitura prazerosa.

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  3. Um excelente texto. Só discordo num título. A meu ver, A cabana não é literatura comercial. Li-o e posso dizer que, pelo menos em alguns círculos, ele suscita grandes questões filosóficas, religiosas e mesmo sociais. Não aliena ou foge das questões. No geral, é um livro que apesar de vender muito, não traz entretenimento algum e, sim, reflexão, afinal é trágico ao extremo. Porém, concordo no geral com seu artigo. Creio que é muito importante separar. Harry não li e não posso opinar. Abraço.

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    • A cabana é um livro que o autor escreveu pura e simplesmente para vender, isso é claro no decorrer do livro. Empreguei muito esforço ainda assim não consegui terminar de ler. È claro a falta de conhecimento do autor no tema. Teologicamente o livro não diz nada, nenhuma teoria ou questão filosófica/teológica é realmente levada a cabo, o máximo que o autor faz é joga-las aleatoriamente no texto e enrolar o resto da discussão. Nada é dito. Tudo no livro é superficial ao extremo, não diz nada, nem mesmo superficialmente, chama atenção pela dramaticidade, ou melhor, pelas polemica e nada mais. Apela para o sentimentalismo, e, sagaz, aliena e manipula o leitor todo o tempo. Além de mal escrito gramaticamente é horrível teoricamente. Vende pelo apelo ao publico e entretêm religiosamente.

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