A Cultura Da Citação. PARTE 1 | Literatortura

Identificação. Essa é a palavra! Qual o tamanho do sorriso ao ler num livro, num artigo, ver num seriado, filme, uma referência, citação, homenagem àquele seu outro valioso objeto cultural? Enorme! Com certeza! O mundo nerd é repleto de referências. Quem nunca se deparou com as espadas reluzentes de Star Wars? Ou o cumprimento com a mão separada de Spock? Inúmeras são as possibilidades e quanto mais inesperadas e construtivas para a obra, maiores serão os sorrisos.

Citação, referência, homenagem. Não são jargões que precisam ser explicados. As próprias palavras dão a entender seu significado. Mas, curioso é que essa cultura está tomando conta de todos os meios de comunicação, inclusive os veículos de massa dessa terra tupiniquim.

Exemplos? Na recente novela das 11 “O Astro” alguns diálogos foram retirados diretamente de clássicos da literatura; Rainer Maria Rilke, Dante Alighieri, Charles Baudelaire, Fernando Pessoa e Luís de Camões. Outro exemplo ainda mais claro e recente aconteceu na novela Insensato Coração. De uma maneira mais óbvia e popular. Norma, personagem principal, está na cadeia lendo nada mais nada menos do que o gênio russo Dostoiesvki. Crime e Castigo. Assista a cena; http://www.youtube.com/watch?v=1UaNt34zV7M . Existe uma clara distinção entre os dois. Em Insensato Coração o romance é mostrado e “discutido”. NO Astro é de certa forma, “copiado”. Alguns dizem que é uma forma de homenagem (quando o autor admite). Outros não. Quem costuma fazer muito disso em seus filmes é Quentin Tarantino. O que você acha? Homenagem ou cópia?

O poder das citações.

O Morro Dos Ventos Uivantes, após ser lido repetidas vezes por Bella (Crepúsculo) teve reedição e voltou a vender bem. Coincidência? Não.  No oitavo episódio da sexta temporada de Dexter foi mostrado um site supostamente melhor que o google; eliotsearchengine.com .Obviamente, vários fãs foram atrás e deram-se de cara com um app no facebook. Interessante? Não tanto quanto os easter eggs* de Community. Cristóvão Tezza, um dos autores mais premiados da última década, faz referências a si mesmo em seu livro mais comemorado; O Filho Eterno. Filmes da Pixar homenageiam-se o tempo todo. A literatura homenageia-se o tempo todo. Quantos livros você já leu que citavam clássicos ou onde outros livros guiavam a história do livro que você lia? Nunca percebeu? Confuso? É preciso atenção. Eles estão por todos os lugares.

A aparição de objetos da cultura pop em algo que temos carinho, nos leva a buscar mais sobre ele. Simples, quer ver? Se você for meu amigo e eu lhe falar de um livro maravilhoso, a chance de você se interessar é grande. Da mesma maneira se o seu personagem preferido “indicar” algum livro. E eu vou além; A chance de você lê-lo é até maior se o livro for indicado pelo seu personagem.

O que isso nos diz? Uma referência. Uma citação. Uma homenagem. Tem o poder de levar seu leitor à identificação (o que é bom para o escritor). Tem o poder movimentar uma marca (como o caso dO Morro dos Ventos Uivantes). E tem o poder de abrir novos horizontes pro leitor (o que é bom pra ele). As vezes, é pura homenagem do escritor; por causa de uma boa lembrança, de um marco etc. Outras, interesses mercadológicos. Quantas geladeiras de Coca você já viu ao fundo de filmes ou seriados? Coincidência?

Uma curiosidade sobre esse mundo: Quanto mais “escondida” parecer a homenagem, mais maravilhado o leitor ficará. Ele não terá apenas o gosto da identificação, mas o gosto da esperteza. “Como sou esperto por ter percebido isso!”
Semana que vem falaremos mais sobre esse fantástico mundo que fica atrás das “câmeras” (às vezes, literalmente. Como mostrarei na próxima semana). Analisaremos algumas homenagens. Falaremos sobre como usar uma referência. (estou em dúvida se duas partes dará. Talvez teremos que recorrer a uma trilogia pra dissecar tudo direitinho).

 

*Ester eggs – ovos da páscoa. No caso; surpresas “escondidas” em séries, livros, filmes. Não sabia que isso existia? Espere até a próxima semana! Você se surpreenderá!

Obs: cada vez tenho mais certeza que duas partes será pouco.

Obs²: como deve ter percebido, é um tema que me fascina.

Obs³: prova do prazer da referência; se você assiste uma dessas séries, ao menos sorriu por dentro. (principalmente se for community)

E você? Se lembra das homenagens que percebeu? Qual foi a sensação? Qual foi a mais marcante? Você acha um instrumento válido pra criar identificação? Deixe sua opinião. Comente!

Gustavo Magnani

Fonte: A Cultura Da Citação. PARTE 1 – Literatortura

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