Poesia | De madrugada

Não escrevo muitas poesias, mas em qualquer dia essa acabou saindo e resolvi compartilhar.

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Três e vinte e oito da manhã de quarta e estou mais uma vez a sentir a melodia do ermo. A solidão que a simpatia aos números proporciona a uma mente, a matemática não, a razão.

Não que o som ao fundo de profundas batidas de bateria, baixo acima da terceira casa e uma guitarra lamentando veloz e alegremente me faça pensar.

Só sinto a gélida sensação do vento cuspido em minha face pelas ferozes hélices da obediência. Fazendo o papel de som de fundo, um motor incansável me joga contra o muro.

Como queria quebrar o muro. Ora, não é preciso, já há quem o quebre. O difícil é que desprezo-os. Derrubam o muro, porem quando do outro lado defecam em tudo. O que me lembra de que em relações interpessoais o que sobra é o extra pessoal.

Não importa quantas palavras consiga falar por minuto, ou quantas consegui escrever com dedos ferozes, no teclados, e carentes de afabilidade com um sorriso bobo.

Alimentando a esperança somente os olhos irados, o pior dos males se encontram com o verde do capim no jardim da filantropia suprema.

Onde a farinha que encheria dois pratos em dois dias é poupada da divisão e consumida impetuosamente enquanto não se tem colheitas futuras.

Assim que o outono baixa só resta desgraça.

Rios vermelhos da sangria presença da natureza interferindo odiosamente no meio prospero do ser humano reciprocamente ao passado esquecido com prazer e orgulho.

O que será da historia sem a doce dose de repetição? Assim como padrões da natureza  que repetem incansavelmente alguns bilhões.

Sim, você ainda não caiu na real da grandiosidade deste numero, ele se mostra impiedosa e se torna lei aqueles que o ar veneram.

Monótonas teses e esquisitas normas técnicas.

Lagartas servem exclusivamente para fundir a colheita, não me importo que lagartas protejam as plantações, também, lagartas não são textos.

E assim se concretiza mais uma analogia ontológica, cumprindo seu papel na literatura, misturando avestruz com sal, sei que é com cavalo, mas é esse o ponto.

Todos entendem aquilo que se fazem flores, no coração de um campo amarelo de soja, tratores gigantes e potentes gritam no canto inferior esquerdo da tela.

Avisam que a felicidade a eles pertence. E a todo conhecimento de como se chegar ao pote de ouro esta na verificação que arco-íris não existem.

São Apenas ilusões propagadas pelos prismas da mente diabólica dos condutores dos tratores que colhem a soja e ao mesmo tempo defecam em sua colheita.

Este paragrafo não tem ponto não vejo razão para tal um bando de esquisitos dissimulados incubados cínicos e maníacos a vista

Um dia me disseram que modos  na mesa fazer o ser-humano humano.

A falta de modos faz o ser-humano humano.

Acabei de quebrar a ordem. Como bruxas. Arquétipos relativamente hipócritas e sujos se traduzem em moral.

Não sei por que, mas um sapato, branco e desprezável me chamou a atenção, e aconteceu novamente.

Está tão propenso a me maltratar assim, como uma arma sem estopim, mas mesmo assim me surpreende que ainda esteja lá, e que ainda esteja falando sobre ele.

Sapatos tão desnecessário e tão venerado.

Assim como o cérebro injustiçado odeia quando o coração leva todo o credito e desce para jogar com suas vontades.


Marcos Plymouth

 

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