Ritmo e Rotina de Escrita

Todos querem atingir um nível de comprometimento, digo organizado, um ritmo para que possa escrever e não empacar em um ou entre vários originais e sem terminar nenhum, nunca.  Alguns não encontram este ritmo por que não podem encontrar, nem que todas as estrelas e luas confabulem para isso, escrevem quando há espasmos de inspiração dai em diante penam para parar, outros apenas não sabem o caminho a seguir ou necessitam de uma rotina para entrar no ritmo.

No livro “Rituales Cotidianos — Como Trabajan los Artistas”, Mason Currey registra e explica como os escritores, de James Joyce a Philip Roth, escreveram suas obras-primas.

Consegui identificar entre eles ,dois “tipos” de escritores: Aqueles que precisam de um cronograma, agendado, sistemático, dividindo seus dias em atividades sempre regulares e entre elas a escrita. Sem essa rotina não conseguiriam escrever, eles forçavam, em certo ponto, iniciavam e mantinham o tempo que fosse necessário sua inspiração. Entre estes escritores há sempre a necessidade de se auto-avaliar, normalmente logo após a escrita diária. Uma necessidade imposta por si mesmo: Apaga-se milhares de paginas e deixam-se frases. Muito se apaga e muito se cria, até mais, digo, que o outro tipo; Aqueles outros que necessitam de primeiramente sentir-se inspirado para assim escrever. È uma odisseia, o processo. Tem, em sua maioria, visualizar-se escrevendo(tal como alguém que admire), visualizar também o termino do texto, a obra completa com seus sentidos e convicções, sentimentos, divagar na cidade, ler o que aparecer, falar com quem aparecer, ouvir musica, limpar a casa, enfim, o que achar necessário para se inspirar, ou apenas esperar a inspiração vir, o problema. Essa inspiração pode vir depois de toda essa procura ou do nada, como uma chuva repentina, então sentam-se e escrevem, muito. Horas e horas. O pensamento vem e anotam, sem parar para refletir nas relações entre as ideias e possíveis conclusões, apenas vão anotando os pensamentos. Geralmente não se utilizam de revisões imediatas, ou, talvez nunca o façam. Embora, não seja recomendado. A revisão é extremamente necessária nos dois casos(E se você for um caso a parte, também esta incluso nesta necessidade), embora o segundo “tipo” não ache necessário. Poucos, como Dostoiévski atingiram um nível no qual os retoques não eram necessários, entre motivos vários (Exige um post exclusivo).

“Depois de me livrar de todos os pratos eu leio o que escrevi naquela manhã. Na maioria das vezes, se escrevi nove páginas eu vou conseguir salvar umas duas e meia ou três. Esta a parte mais cruel, sabia? Admitir que aquilo não está bom.” – Maya Angelou

  • Scott Fitzgerald, o autor do romance “O Grande Gatsby”, não tinha um horário normal. O escritor americano e sua mulher, Zelda, passavam muitas noites nos cafés. “Sua verdadeira escritura se dava em breves momentos de atividade concentrada”. Escrevia, às vezes, 8 mil palavras numa sentada. Sobre a rotina disse Arthur Miller: “Oxalá eu tivesse uma rotina para escrever”. O autor de “A Morte de um Caixeiro-Viajante” dizia que se levantava cedo, escrevia em seu escritório e, depois, destruía tudo. Ocasionalmente, algo do que havia escrito, de um jato, “sobrevivia”. “Quando estou escrevendo um livro, levanto às sete. Checo meu e-mail e faço abluções da Internet, como fazemos nos dias de hoje[…] Então eu sento e tento escrever. Se absolutamente nada estiver surgindo, me dou permissão para ir cortar a grama.” Dizia William Gibson.

“Um escritor toma medidas sérias para garantir sua solidão e então encontra infinitas maneiras de desperdiçá-la.”              – Don DeLillo

  •  Para representar o primeiro “tipo” o Autor de “As Asas da Pomba” e “Retrato de uma Senhora”, Henry James “sempre manteve hábitos de trabalho regulares. Escrevia todos os dias”. Ele começava a escrever de manhã e só parava no horário do almoço. A noite tomando notas para o trabalho do dia seguinte.” Assim que terminava um livro começava outro imediatamente. Este ponto é importante, para você que ainda não encontrou seu ritmo; Se terminar um romance esta sendo difícil, começar outros enquanto ainda o escreve se tornara impossível. Muitas vezes fazemos isso por ter, em um ínfimo tempo: Eureka. A historia surgi toda na sua mente e ela começa a ditar as possibilidades rapidamente, você não consegui se conter e começa a escrever. Minha dica, como lido, é escrever um breve resumo, com notas, desenhos, o que quer que apareça em sua mente, mas não iniciar propriamente a trama. Deixe guardada para breve.
  • Já Philip Roth, usa como escritório uma antiga casa de hóspedes, onde começa a trabalhar depois do café da manhã e de fazer algum exercício. “Escrevo das 10 horas até as 18 horas todos os dias, com uma folga de uma hora para almoçar e ler jornais. À noite, só leio”. O perigo é se perder nos desejos e necessidades quanto ao texto e nunca termina-lo. “Calculo que devo ter passado quase 20.000 horas escrevendo ‘Ulysses’”, revelou James Joyce. O autor de “Dublinenses” e “Finnegans Wake” escrevia todas as tardes. Depois de sete anos de trabalho, terminou o romance Ulysses”.

Alguns preferem não detalhar muito o cronograma, deixando-se mais livres, cujo veneta dita, enquanto outros possuem até planilhas detalhadas dos afazeres conforme os dias passam.

O certo é que não existe método certo, mais eficiente, ou ais produtivo. Todos estes exemplos foram de pessoas totalmente diferentes, com estilos e modelos de vida diferentes. Você pode ir testando as possibilidades e aderir a que mais lhe agrade, nos termos que você determinar. Se sua dificuldade for quanto a tentar, por preguiça ou qualquer coisa, ninguém poderá lhe ajudar a não ser você mesmo. Terá de ter vontade, como disse Philip Roth: “Escrever não é um trabalho duro — é um pesadelo”. E dificuldades todos tem, Consiga tempo, leve o drama ás paginas, Não fale; faça.

Leia os posts complementares desta Publicação:

Como combater a falta de inspiração: Clique Aqui

Como criar uma rotina de Escrita: Clique Aqui

Referencias:

http://www.papodehomem.com.br/a-rotina-diaria-de-13-grandes-escritores-e-o-que-eles-fazem-para-continuar-escrevendo/
http://www.revistabula.com/2293-manias-ou-metodos-de-trabalho-de-10-escritores-classicos/

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