Conto – O Abutre – Capítulo II

O começo; Capítulo IaaaaaaaII

— Nada aqui pareceu mudar, Jane. Tentamos conversar com o Detetive Jaques no inicio da tarde e fazer algumas perguntas, mas não conseguimos nada. Espere, espere. — A moça se virou e começou a correr em direção à calçada da casa. — Ele esta aqui, ele esta aqui… Senhor Jonas, senhor, poderia responder algumas perguntas? Senhor… poderia nós contar o porque… — Ela gritava no microfone em meio ao turbilhão de câmeras, repórteres e curiosos que também tentaram obter uma cena.

Joana desligou a TV e se levantou do sofá rapidamente. Caminhou até a porta e a abriu antes que Jonas pudesse tocar a campainha. Ele entrou, ela fechou a porta e os dois sentaram juntos no sofá.

— O que esta acontecendo aqui Joana? — Perguntou apavorado. — Desde quando eles estão aqui?

— Ainda bem que voltou. — Disse, abraçando-lhe. — Não sei quando chegaram, estava resolvendo algumas coisas, quando voltei já estavam aqui. — Levou-o para o sofar. —Parece que você foi acusado de alguma coisa. Algumas viaturas vieram hoje para leva-lo. Sabe como aumentam as coisas.— Disse Joana.

Jonas não acreditara que em algum dia de sua vida ser interrogado como suspeito de um crime, muito menos aqueles que o conheciam e faziam parte de seu cotidiano. Detetive Jaques era o encarregado do caso, mandado diretamente da capital. Sua especialidade era casos extremos, diziam os noticiários.

— Fiquei o dia todo na pedreira. Esses abutres estão sempre procurando a merda de alguém. Você deveria se orgulhar por não usar disso pra se promover, mesmo depois de tanto que passou. Será que eles acham mesmo que fiz algo, matei alguém? — Jonas olhou para os lados e só queria brincar com seus filhos. Na parede uma fotografia de sua esposa quando ainda trabalhava como repórter, tinha grande admiração por ela, sendo-a seu travesseiro macio.

— Somos os restos de uma sociedade canibal, A mídia só comemora a demência humana e utiliza-se dela. — Falou ela, olhando-o nos olhos.

— Não saberia por que eles transmitem toda esta dor nem em um milhão de anos. Alias, Onde estão as crianças? — Jonas perguntou mudando de assunto. Ele apoiou os cotovelos nos seus joelhos e cobrindo o rosto com as mãos pensou um pouco. Ele mordeu os lábios e ligou a TV novamente. Dizia:

— Não faz mal, Jaci, conseguimos informações importantes de uma pessoa de dentro do departamento sobre a natureza do caso. Vamos a ele. — Dizia a mulher a partir do estúdio. A tela se dividiu em duas e apareceu uma linha telefônica. — Não informe sua identidade, apenas diga-nos o que acabou de me dizer. — Continuou a ancora.

— As poucas informações que tenho levam para um assassinato. Um serial killer. È isso que todos estão comentando na delegacia. Ainda não temos muita certeza disso.

— Um assassino em serie, Brasil, um …

Jonas desligou a TV outra vez. Agora decidida a não liga-la mais.

— As levei pra casa de sua mãe, amor. — Respondeu Joana Johnson, abraçando-o novamente enquanto contava os flashes que atravessavam a janela.

A notícia que saiu em todos os jornais abalou não somente a pequena cidade interiorana de Mirante. Não passara pelas cabeças das pessoas que algo tão terrível pudesse acontecer neste pacífico lugar. Este mundo esta cada vez pior, eu sabia que não custava nada para uma coisa dessas acontecer, diziam os velhos da cidade, nunca se cansavam.


—— Marcos G Plymouth

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