Conto – A mosca – Capítulo II

Comece do início; Capítulo IaaaaII

— Eu me machuquei hoje! Sim, já deveria sim. È que apareceu algo nos exames. Não poderei sair do hospital, nem que quisesse. Eu sei patrão. Eu também gostaria de ajudar na produção do país, mas… . Tem razão. Está certo. — Se submetia do celular para seu patrão. Na cama do hospital ele via as paredes muito limpas, não sentia o cheiro do sumo nos lençóis na cama e a teve a cabo pegava perfeitamente. Não sabia como chegara ali, mas já imaginara o que teria que vender para pagar. Na cadeira confortável logo a frente de si, sua mulher o observava inquieta com suas questões. Olhando para ela não se sabe o porquê de sua preocupação com a conta do hospital obviamente particular.
—Você ainda nem entrou na meia idade e já esta caindo aos pedaços. Olhe, tive que sair do trabalho para vir aqui. — Ela não desfazia aquele olhar dissimulado — O que aconteceu? — Estava indo ao trabalho quando me sentei tonto, me sentei no banco e só lembro-me disso. — Os dois se olharam num gelo desconcertante e brutal. O barulho do vento nas janelas e do ar saindo do duto não encobria os gritos desconcertantes de aversão que escapavam de seus olhares. — O medico falou que tenho pouco mais de um mês de vida. — Chocante. — A mulher se levantou. — Um mês não é agora e, além disso, você parece bem. Não vejo minha utilidade aqui. — Parece-me coerente. — Respondeu Ruan. — A mulher virou-se sem falar nada e andou em direção à porta batendo seu salto no piso. — Como anda o Afonso? — Perguntou. Mas sem resposta. “Desgraçado”, pensou.
Com dificuldade se levanta e vai até a janela. O prédio era consideravelmente alto, a vista alcançava até as montanhas do vale. De algum modo, como com um poder, enxergava coisas que nunca antes sentira existência. Ele observa todas as pessoas lá em baixo, todas com medo em sua cômoda carga de repressão, ao se identificar um ódio cresce dentro de si. Desviado o olhar o céu agora entra no plano, sua morte iminente alerta a vida, moral e correta, e todas as coisas boas que fez, porem, não se acomodou com o certo bom juízo para uma vida justa e eterna. Com seu pescoço cansado olhou sua esposa entrando no esportivo que ganhara do homem por quem o largou, aquela imagem fez toda sua vida passar pelos seus olhos em um piscar; Em suma só conseguiu extrair dor. A sua dor não se justifica em Deus, assim como suas escolhas. Mas ainda as condicionava a isso pelo medo da responsabilidade. — Uma mosca pousara na sua mão e é observada, depois voa livre. — A duvida o corroeu, do futuro não sabia, muito menos do passado. A única certeza para si era a morte, e não tardaria.
Arremessando seu celular através janela, trocou todo aquele sentimento através do furor dando lugar à vontade. A única coisa que se passa na cabeça dele é o que fará até a morte.
Olhou para os quatro cantos do quarto, vasculhou o banheiro, a dispensa, em baixo dos lençóis e da cama, mas não encontrou suas roupas. Passou o olho na busca por um dispositivo que chamasse a enfermeira. Logo bateu a mão no todo do criado mudo e começou, por conseguinte, a despir-se. Uma enfermeira deu as caras na porta e soltou um grito.
— Nunca viu um pênis? — A mulher que cobria o rosto ameaçou correr. — Traga-me as minhas roupas. — Gritou, enquanto a moça corria. Não demorou e outra moça, mais desinibida, lhe trouxe suas roupas jogando-as para Ruan. Não demorou em vesti-las assim como para sair do prédio.
— Mandem a conta. — disse sagaz na recepção. A porta abriu-se para ele que pulou em qualquer carro que encontrara na rua com as chaves.


– Marcos G Plymouth

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