Linguagem Literária – Algumas ferramentas

Não é o melhor exemplo de linguagem culta. Como expressão, arte, aceita a subversão à gramática normativa: Variabilidade, a Complexidade, a Conotação, a Multissignificação e a liberdade de criação:

Complexidade: Uma das principais características do discurso literário é a complexidade. Isso acontece porque a linguagem literária não tem compromisso com os sentidos que comumente são atribuídos às palavras, extrapolando assim seu nível semântico. Por esse motivo, o texto literário não é apenas um objeto linguístico, mas também estético.

→ Multissignificação: A Literatura apresenta uma linguagem que a difere da linguagem utilizada no cotidiano. Diferentemente do discurso que adotamos em nosso dia a dia, no qual prepondera o uso objetivo da fala, o discurso literário pode apresentar múltiplas leituras e interpretações.

→ Conotação: A linguagem literária é conotativa, isto é, uma palavra, quando usada no sentido conotativo, permite diferentes significados e múltiplas interpretações. A conotação permite que ideias e associações extrapolem o sentido original da palavra, assumindo assim um sentido figurado e simbólico.

→ Liberdade na criação: O artista, quando na criação de um texto literário, pode inventar novas maneiras de expressar-se, desvinculando-se dos padrões convencionais da língua, bem como da gramática normativa que a rege.

→ Variabilidade: Assim como a língua, a Literatura também acompanha as mudanças culturais, que podem ser notadas não só no discurso individual, mas também no discurso cultural.

Estarão à nossa disposição recursos linguísticos adequados para esse fim, tais como:

FIGURAS DE LINGUAGEM(Definição: Figuras de linguagem são certos recursos não-convencionais que o falante ou escritor cria para dar maior expressividade à sua mensagem.)

METÁFORA

É uma comparação subentendida.
Exemplo:
Minha boca é um tumulo.

COMPARAÇÃO

Consiste em atribuir características de um ser a outro, em virtude de uma determinada semelhança.
Exemplo:
O meu coração está igual a um céu cinzento.

PROSOPOPÉIA

É uma figura de linguagem que atribui características humanas a seres inanimados.
Exemplo:
O céu está mostrando sua face mais bela.

SINESTESIA

Consiste na fusão de impressões sensoriais diferentes.
Exemplo:
Raquel tem um olhar frio, desesperador.

CATACRESE

É uma metáfora desgastada, tão usual que já não percebemos. Assim, a catacrese é o emprego de uma palavra no sentido figurado por falta de um termo próprio.
Exemplo:
O menino quebrou o braço da cadeira.
A manga da camisa rasgou.

METONÍMIA

É a substituição de uma palavra por outra, quando existe uma relação lógica, uma proximidade de sentidos que permite essa troca. Ocorre metonímia quando empregamos:

– O autor pela obra.
Li Jô Soares dezenas de vezes.
– o continente pelo conteúdo.
O ginásio aplaudiu a seleção.
– a parte pelo todo.
Vários brasileiros vivem sem teto, ao relento.
– o efeito pela causa.
Suou muito para conseguir a casa própria.

PERÍFRASE

É a designação de um ser através de alguma de suas características ou atributos, ou de um fato que o celebrizou.
Exemplo:
A Veneza Brasileira também é palco de grandes espetáculos. (Veneza Brasileira = Recife)

ANTÍTESE

Consiste no uso de palavras de sentidos opostos.
Exemplo:
Nada com Deus é tudo.Tudo sem Deus é nada.

EUFEMISMO

Consiste em suavizar palavras ou expressões que são desagradáveis.
Exemplo:
Ele foi repousar no céu, junto ao Pai.

HIPÉRBOLE

É um exagero intencional com a finalidade de tornar mais expressiva a idéia.
Exemplo:
Ela chorou rios de lágrimas.

IRONIA

Consiste na inversão dos sentidos, ou seja, afirmamos o contrário do que pensamos.
Exemplo:
Que alunos inteligentes, não sabem nem somar.

ONOMATOPÉIA

Consiste na reprodução ou imitação do som ou voz natural dos seres.
Exemplo:
Com o au-au dos cachorros, os gatos desapareceram.

ALITERAÇÃO

Consiste na repetição de um determinado som consonantal no início ou interior das palavras.
Exemplo:
O rato roeu a roupa do rei de Roma.

ELIPSE

Consiste na omissão de um termo que fica subentendido no contexto, identificado facilmente.
Exemplo:
Após a queda, nenhuma fratura.

ZEUGMA

Consiste na omissão de um termo já empregado anteriormente.
Exemplo:
Ele come carne, eu verduras.

PLEONASMO

Consiste na intensificação de um termo através da sua repetição, reforçando seu significado.
Exemplo:
Nós cantamos um canto glorioso.

POLISSÍNDETO

É a repetição da conjunção entre as orações de um período ou entre os termos da oração.
Exemplo:
Chegamos de viagem e tomamos banho e saímos para dançar.

ASSÍNDETO

Ocorre quando há a ausência da conjunção entre duas orações.
Exemplo:
Chegamos de viagem, tomamos banho, depois saímos para dançar.

ANACOLUTO

Consiste numa mudança repentina da construção sintática da frase.
Exemplo:
Ele, nada podia assustá-lo.

Dica: o anacoluto ocorre com freqüência na linguagem falada, quando o falante interrompe a frase, abandonando o que havia dito para reconstruí-la novamente.

ANAFÓRA

Consiste na repetição de uma palavra ou expressão para reforçar o sentido, contribuindo para uma maior expressividade.
Exemplo:
Cada alma é uma escada para Deus,

Cada alma é um corredor-Universo para Deus,

Cada alma é um rio correndo por margens de Externo

Para Deus e em Deus com um sussurro noturno. (Fernando Pessoa)
SILEPSE

Ocorre quando a concordância é realizada com a idéia e não sua forma gramatical. Existem três tipos de silepse: gênero, número e pessoa.

De gênero.
Exemplo:
Vossa excelência está preocupado com as notícias.

De número.
Exemplo:
A boiada ficou furiosa com o peão e derrubaram a cerca. (nesse caso a concordância se deu com a idéia de plural da palavra boiada).

De pessoa

Exemplo:

As mulheres decidimos não votar em determinado partido até prestarem conta ao povo. (nesse tipo de silepse, o falante se inclui mentalmente entre os participantes de um sujeito em 3ª pessoa).

SÍNTESE DO TUTORIAL E Mais…

As figuras de linguagem são recursos não-convencionais que o falante ou escritor cria para dar maior expressividade à sua mensagem.

Metáfora é o emprego de uma palavra com o significado de outra em vista de uma relação de semelhança.

Comparação é uma atribuição de característica de um ser a outro em virtude de uma determinada semelhança.

Prosopopéia atribui características humanas a seres inanimados.

Sinestesia consiste na fusão de impressões sensoriais diferentes.

Catacrese é uma metáfora desgastada, tão usual que já não percebemos, ou seja, é o emprego de uma palavra no sentido figurado por falta de um termo próprio.

Metonímia é a substituição de uma palavra por outra, quando existe uma relação lógica, uma proximidade de sentidos que permite essa troca.

Perífrase é a designação de um ser através de alguma de suas características ou atributos, ou de um fato que o celebrizou.

Antítese consiste no uso de palavras de sentidos opostos.

Eufemismo consiste em suavizar palavras ou expressões que são desagradáveis.

Hipérbole é um exagero intencional com a finalidade de tornar mais expressiva à idéia.

Ironia consiste na inversão dos sentidos, ou seja, afirmamos o contrário do que pensamos.

Onomatopéia consiste na reprodução ou imitação do som ou voz natural dos seres.

Aliteração consiste na repetição de um determinado som consonantal no início ou interior das palavras.

Elipse consiste na omissão de um termo que fica subentendido no contexto, identificado facilmente.

Zeugma consiste na omissão de um termo já empregado anteriormente.

Pleonasmo consiste na intensificação de um termo através da sua repetição, reforçando seu significado.

Polissíndeto é a repetição da conjunção entre as orações de um período ou entre os termos da oração.

Assíndeto ocorre quando há a ausência da conjunção entre duas orações.

Anacoluto consiste numa mudança repentina da construção sintática da frase.

Anáfora consiste na repetição de uma palavra ou expressão para reforçar o sentido, contribuindo para uma maior expressividade.

Silepse ocorre quando a concordância é realizada com a ideia e não sua forma gramatical. Existem três tipos de silepse: gênero, número e pessoa.

Elipse se caracteriza pela omissão de um termo na oração não expresso anteriormente, contudo, facilmente identificado pelo contexto.

Zeugma ocorre a omissão de um termo já expresso no discurso.

Anáfora se caracteriza pela repetição intencional de um termo no início de um período, frase ou verso.

Polissíndeto se define pela repetição enfática do conectivo, geralmente representado pela conjunção coordenada “e”. Observemos um verso extraído de uma criação de Olavo Bilac, intitulada “A um poeta”:

Assíndeto ocorre a omissão deste.

Anacoluto trata-se de uma figura que se caracteriza pela interrupção da sequência lógica do pensamento, ou seja, em termos sintáticos, afirma-se que há uma mudança na construção do período, deixando algum termo desligado do restante dos elementos.

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