Conto – Conheço meu Assassino – Capítulo I

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Aquela sala cheira a toalha molhada, todas aquelas pessoas convivem o dia todo dentro da caixa quente. Por trás do forro contra ruído externo, uma colônia de fungo vivia feliz e se reproduzindo, Fábio não sabia disso e não entendia porque sua renite atacava todos s dias. Mas isso não atrapalharia seu trabalho; alguns comprimidos e um suco de laranja eram o suficiente para trazê-lo a toda força para a noticia. Posiciona o estranho, mas eficiente, microfone próximo a sua boca, inclina o corpo e apertando em alguns botões na mesa para que parasse a musica e dessem-lhe a vez. Ele lança o primeiro “Bom dia” para os ouvintes e começa seu programa.

— Olá. Acabaram de ouvir “Jennifer She Said” e a partir de agora, comigo nas noticias da cidade e região. — Alguns sons estranhos soaram e ele continuou. — E hoje recebemos uma mensagem contendo algo muito curioso, uma historia no mínimo interessante. Se existe uma coisa que eu tenho certeza neste mundo, é que não sabemos de nada. Sempre há espaço para duvidas, e assim trago esta historia que anda dando assunto na cidade. Entre novos, velhos e negadores, entre crentes, descrentes e doentes. A historia do menino que diz ter tido outra vida e foi assassinado, agora reencarnado numa criança que afirma saber quem é seu assassino e ira ás revelar. Além dos recentes casos de doença da vaca louca na cidade, a promoção maluca da “Loja Ás”, a programação para o dia da independência e muito mais logo depois do intervalo comercial. — Continua apertando alguns botões enquanto procura o celular no bolso do blusão.

*****

Do outro lado do Radio, sobre o balcão americano de mármore preto alguns comerciais irritantes saem da caixa e percorrem toda a cozinha. Marcia não perdeu tempo e rodou a polia que fez o som abaixar para o quase inaudível. Na mesa do meio da cozinha estava Rony e o filho dos dois, André.

— Está vendo filho, o que você disse esta fazendo o maior alvoroço na cidade. — Disse Rony, com as mãos no ombro de André.

— Ainda bem. — O garoto de apenas oito anos berrou aliviado.

— Isso pode não sair bem. — Seu pai não acreditara que a historia que seu filho soltara e  imaginara em algum devaneio de  uma noite com trovão iria mesmo ser ouvido pelo povo. — Mas você sabe que isso não pode ser verdade, correto? — Perguntou ao garoto que respondeu calmamente depois se afogou nas panquecas que sua mãe havia feito: “Claro”.

O telefone de Rony tocou.

— Olá. Diga Fábio. Não, olhe, não sei se é uma boa ideia. — Falou, olhando para o garoto que ouvia atentamente o que dizia. — Seria uma boa ideia sim. Mas não apostaria que desse muito certo. — Deu uma garfada em mais um pedaço do futuro infarto pensando durante a longa replica de seu colega. — Ok. Vou leva-lo lá a depender de como as coisas fluam poderemos fazer isso. Até mais. — Rony desligou o celular e voltou a comer.

— O que foi, amor? — Marcia perguntou assustada, perante a natureza da conversa sua cabeça perturbada começou a pensar besteira, mesmo sabendo que Rony resolveria se fosse algo importante. Ela gostava de ficar por dentro dos negócios do marido.

— Aumente o radio. — Pediu afetuosamente.

*****

Fabio desliga o celular e aperta um botão.

— Oi ouvintes, estamos de volta com o programa. E agora com novidade: O menino e sua historia mais falada da semana estarão aqui, sim, no nosso programa, respondendo algumas perguntas. Então o que estão esperando, mandem suas perguntas para nós que as faremos ao vivo! — Ele olhou uma cartilha na mesa. — Para você que queira nós patrocinar, estamos com anúncios abertos.


——  Marcos G Plymouth

Leia o Capítulo II de XI

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