Conto – Além do predador – Capítulo I

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Já era quase de manhã, a penumbra do amanhecer começara a aparecer, e o tímido brilho de sol começara a invadir o quarto em raios exaustos, rastejando lentamente para a parede enfadonha. Um som molhado de modo como de um deslizamento de pesares, horrendo, ecoa pelo recinto. Não era como nada parecido com algo antes visto.

— O que esta acontecendo?— Falou Miguel, levantando-se da frente do notebook que estivera em atividade sobre a escrivaninha durante toda a noite.

Percorreu a casa e abriu a porta sem hesitar, fechando-a repentinamente com toda a força e estremecendo o lugar. Seus olhos pularam da caixa! Ele não acreditava no que via. Algo muito errado estava acontecendo na cidade. O sistema de defesa estava aposto e inoperante: Esse sistema fora criado depois de um ataque aos seus habitantes. Depois dos moradores se juntarem e quase morrerem ressecados, o governo resolveu criar esse sistema para eventuais próximos ataques. Depois da inauguração foi eficiente dezenas de vezes. Mas dessa em especial algo estava tremendamente errado.

Tinha umas janelas altas de madeira na porta da frente, e em cima delas uns painéis de vidro transparente. Miguel nunca fora um dos primeiros a ser chamada para o time de basquete na escola; altura não era uma das suas qualidades. Sem pensar duas vezes: Subiu no braço do sofá, Espichou o pescoço e pode se assombrar ainda mais com o que agora era fato: As criaturas vinham aos montes, todas juntas formando um lençol ameaçador sobre a cidade.

Todas as barreiras de contenção foram abaixo suprimidas por esses corpos minúsculos, quase imperceptíveis para seus olhos; qualquer cidadão poderia esmaga-los facilmente com apenas um dedo. Mas juntavam-se através de ventosas distribuídas ao longo de todo seu corpo redondo, e multiplicando-se tão rapidamente a modo de deixar a cidade acanhada acabando a se tornar uma ameaça para toda forma de vida existente na cidade.

Não parecia ter olhos, boca ou qualquer outro tipo de órgão, somente uma bola esverdeada cravejada de ventosas que afetava tudo que estava ao seu alcance, ou simplesmente; tudo.

— Amor? O que está acontecendo? — Perguntou Julia, saindo do quarto cambaleando com o susto causado pela porta.
Julia é casada com Miguel a pouco mais de dois meses, estão criando expectativa para seus dois filhos gêmeos que estão por vir.
— Não sei querida, mas é melhor você não se aproximar da porta. — Disse Miguel, protegendo o rosto com as mãos.

Estava tremendamente certo: A porta se partiu em um estouro, espalhando pedaços de madeira para todos os lados depois de conhecer o peso de um pé vigoroso. Esse pé pertencia ao superior direto de Miguel, o Inspetor Bardcar.


——  Marcos G Plymouth

Leia o Capítulo II de V

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